segunda-feira, 5 de junho de 2023

DIAS FELIZES...

 28 de janeiro de 2023



Por Maiara de Deus 


Eu acho que eu sempre fui mais pensamentos do que atitudes, eu sempre refleti muito e observei muito as coisas, a vida, as pessoas...

Tão pouco foram os dias de felicidade na minha vida que inconscientemente eu os repetia na minha mente a fim de reviver coisas que me pareciam muito distantes, inusitadas e impossíveis de voltar a acontecer.

Sempre fui uma ótima ouvinte  e uma excelente contadora de historias e por isso  compartilho cada  um pouco  dos  DIAS FELIZES vividos por algumas amigas que fui conhecendo ao longo da vida.

















Capítulo I 



A  TORRE

Quando eu era criança, até uns quatro anos, tudo para mim era mágico, eu não enxergava as coisas como as outras pessoas, tudo para mim tinha uma história, um porque atrás de tudo aquilo, existia uma atmosfera mística em tudo, nas pessoas, no amanhecer e no anoitecer tudo era lindo. Hoje um ano passa muito rápido, mas lá atrás, na minha infância parecia que para chegar o Natal era uma eternidade, mas quando chegava eu sentia meu coração cheio de uma alegria indescritível, todos os elementos ao meu redor pareciam participar de uma magia serena que enfeitava a tudo.

Hoje, lamentavelmente mal conseguimos olhar para o céu e ver as estrelas, a lua ou as nuvens ganhando textura de carneirinhos, muita gente construiu suas torres de Babel  e foram tirando  a visão de toda está riqueza que nos cerca.

Quando eu era criança, do fundo da minha casa dava para ver a torre de transmissão de uma emissora de TV, quando o Natal ia se aproximando enfeitavam está torre com luzes coloridas e quando chegava a noite eu ia olhar a torre tão longe e tão bela mesclando luzes verde,vermelha,amarela, azul e branca. Na noite escura o céu servia como um fundo neutro para aquele espetáculo belo.

Minha família era muito pobre eu não tinha muitas coisas que as outras crianças tinham mas eu era tão inocente naquela época, eu era criança de verdade sem nenhum tipo de malícia, aos meu olhos não havia riqueza mais maravilhosa que observar aquele espetáculo que não custava ingresso mas era tão mágico como  ver minha avó por na mesa a toalha com desenhos de Natal, sentir o perfume das trombetas que abriram todas as noites na frente da minha casa e exalavam um perfume inesquecível como se fosse os anjos de Deus tocando uma sinfonia aromática.

Muitos anos se passaram, eu comecei a estudar o Tarot na adolescência e uma das cartas deste baralho se chama "A Torre", não é uma carta boa mas me fez lembrar com nostalgia do tempo que eu não sabia como pode haver coisas negativas nesta vida e que a torre para mim era apenas um símbolo de alegria que enfeitavam as noites de Natal com brilho e cores alegres.


24 de março de 2023




Capítulo II 


O   COQUEIRO

Durante muitos anos da minha vida, eu vivi em uma casa de apenas dois cômodos o que chamam de quarto e sala, nesta casa viviam quatro pessoas meu pai, minha mãe, eu e minha irmã.

Se me perguntassem naquela época se era ruim eu não saberia dizer porque eu nunca tinha conhecido outra forma de vida, eu nunca tinha tido outra habitação, não sabia o que era privacidade.

A casa ficava em uma avenida que era construída entre duas ruas. A rua de cima era uma subida, tinha uma ribanceira e alguns moleques passavam atirando pedras. Da minha casa dava para ver uma casa da rua de cima que tinha um coqueiro plantado na varanda. Era um coqueiro enorme com folhas imponentes que eram tão fortes que não se abalar nem mesmo com o vento que de vez em quando vinha brincar com seu galhos.

No final da tarde eu gostava de sentar no passeio e olhar para o coqueiro como se telepaticamente conversássemos.

Eu sonhava tanta coisa, o melhor da minha vida era os momentos eu que eu sonhava e tinha dentro de mim uma esperança infantil que todas aquelas dificuldades de sobrevivência um dia passaria e que eu poderia acessar coisas que naquele momento pareciam tão distantes, tão impossível.

Minha avó gritava da casa dela que era do lado da minha:

-Manuela entra pra casa! Este sereno vai te gripar.

Eu obedecia resignada, recolhia o tamborete e ia por água no fogo para fazer o café a cozinha era em um pedacinho do quarto e a sombra do coqueiro se projetava magicamente na parede.

Eu era feita de sonhos naquela época, acreditava que aquela pobreza toda um dia ia passar mas falando sério, mesmo  suportando todas as dificuldades que as privações por falta de dinheiro podem trazer, dentro de mim havia uma esperança tão forte e iluminada que eu posso dizer que eu era feliz, algo dentro de mim me fazia firme em todos os meus sonhos por mais que parecessem distantes, aquele coqueiro ali tão forte e resistente era como um amigo ou como um incentivo para que eu não me abalasse por tudo o que viesse acontecer, era como se me dissesse para não desistir...

Nunca falei sobre isso com ninguém, seria difícil achar quem pudesse compreender como este elemento simbólico serviu de motivação, eu não tinha nada na vida a não ser minhas ilusões, meus sonhos, minha fé e a representação das mensagens de Deus para que eu continuasse acreditando que tudo nesta vida passa e que devemos apesar de tudo embalar os nossos sonhos com carinho e persistência.


25 de março de 2023


Capítulo III


UM MUNDO  COLORIDO

Sempre tive cores dentro de mim, embora muitas  vezes eu prefira estar de preto e branco, as cores sempre coloriram a minha alma, eu achava  tudo colorido fascinante e vivo e alegre...

Quando eu era criança, na minha casa não tinha TV a cores, tínhamos uma Philips  preta e Branco mas para mim isto não era um problema porque eu imaginava qual era a cor da roupa dos atores e isso acontecia de uma maneira tão natural que de fato eu não enxergava mas nada em preto e branco, as cores estavam em mim e se expandiam.

A minha avó lavava roupa de ganho e ela sempre tomava conta de mim, ela era uma mulher simples, sofrida pela vida mas  mesmo sem saber ler e escrever ela me ensinou muitas coisas importantes sobre a vida, eu estava sempre com ela, quando ela barrelava a roupa na bacia apoiada em cima de um tamborete e eu observava a estampa dos lençóis imaginando mil histórias, quando ela engomava as roupas com um ferro esquisito e subia aquele aroma de limpeza, de roupa lavada eu ficava ajoelhada em um banco enquanto ela passava a roupa em cima da mesa com vários lençóis dobrados. Vida dura de batalha mas para mim era uma vida feliz eu não conhecia luxo, eu não tinha coisas caras mas eu via magia em tudo o que acontecia. De noite eu ia com ela entregar as roupas quando era no bairro que morávamos ela entregava de noite mesmo, tinha uma padaria que Moía café e agente sentia o cheiro de longe, nunca esqueci aquele cheiro de pão fresco e café moído para mim era o perfume da noite e íamos pela rua poeirenta porque ainda não tinha asfalto com uma mão ela equilibrava a trouxa de roupas na cabeça e a outra ela segurava minha mão.

Na casa  dos donos da roupa que minha avó lavou a TV estava ligada passando a novela A Gata Comeu. Os personagens eram coloridos porque de fato, a TV era em cores, mas eu ainda achava que da nossa pequenina TV em preto e branco tudo era mais bonito porque eu imaginava, eu sonhava com as cores....

Eu sinto muitas saudades da menina que eu fui, daqueles momentos de simplicidade quando depois de entregar a roupa minha avó comprava 100 Gr de café e alguns pães, naquele tempo, pobre podia comprar um pedacinho de manteiga e mesmo pouco todo mundo se satisfazia, hoje em dia eu não sei se porque quando se torna adulto agente perde as ilusões mas eu não consigo mais ter aquela paz alegre que nascia das coisas tão simples e tão caras.



02 de maio de 2023


Capitulo IV


PRINCIPE... SAPO


Ah muito tempo atrás eu levei um tombo feio e deste tombo ganhei um ferimento no joelho que virou uma cicatriz, Todas as vezes que eu olhava para a marca eu me lembrava da dor, cheguei a achar que o ferimento nunca iria sarar, mas aos poucos foi criando uma casca até que  não doeu mais só ficou ali, estampado em minha pele como  uma tatuagem.

Assim são os amores amargos que passam por nossas vidas... um dia sara.

Quando eu tinha por volta de uns quinze anos, uma família  se mudou para o meu bairro, eram três garotos e uma moça já crescida , a mãe e o pai. Eles se destacavam  não apenas por serem pessoas novas que iriam morar em uma casa que foi moradia de pessoas muito queridas por muito tempo, mas se destacavam por que eram diferentes das pessoas do bairro, os meninos eram meio loiros, bem diferentes das pessoas que eram morenos, negros, mestiços.,,,

Obvio que as meninas se assanharam não exatamente por terem uma aparência diferente  dos meninos do bairro mas por que eram pessoas desconhecidas que instigavam  a imaginação  delas, não só das meninas mas de todos. Todo mundo queria saber quem eram, o que faziam, eram novidade.

Eu não estava tão interessada com quem vinha e nem com quem ia, minha vida naquele tempo era muito difícil, apesar de ser apenas uma adolescente eu tinha muita coisa para me preocupar, meus pais estravam se separando e o impacto desta separação  estava causando um grande trauma para mim, eu queria respostas para coisas que pareciam  incógnitas naquele tempo, eu queria estudar, fazer faculdade, ter uma vida tranquila mas a minha realidade apresentava um quadro  totalmente negativo. Eu dava aulas de reforço pela manhã e estudava de tarde, Um dia eu voltava da aula  de reforço apressada para me arrumar e ir para escola quando um dos novos moradores ia na minha frente, eu nunca tinha reparado para mim eles eram todos iguais, mas na verdade não eram, um era gordo e alto, o outro era meio franzino e sardento tinha as pernas finas e o nariz vermelho e este ultimo que parecia ter sido o projeto que deu certo, ele era bem bonito mas parecia um marginal, andava gingando com a camisa pendurada no ombro não parecia ter vindo da escola mas de uma reunião de malandros.

Sempre que eu ia comprar pão via ele no meio dos Bad Boys da rua, não parecia ser  um rapaz direito, os irmãos dele eram mais sérios mas este ultimo... sei que é feio julgar as pessoas mas as companhias, os modos dele mostrava que era um pivete arruaceiro.

Bonito sim mas  eu não me atrevia a alimentar qualquer tipo de ilusão uma porque um cara tão bonito e chamativo não olharia para uma moça comum como eu, sem um tostão para poder andar produzida e outra porque eu era uma Nerd," certinha" como costumavam criticar, eu não poderia me dar ao luxo de me meter em confusão então fazia das minhas muitas espinhas  minhas companheiras e seguia meu caminho sempre sonhando acordada com uma vida mais tranquila, com condições de ter todas as coisas que eu queria mas que não ousava pedir porque sabia que meus pais não tinham como me dar.

Hoje olhando para trás  eu vejo que eu queria tão pouco, coisas tão pequenas mas que  mesmo sendo pouco era inviável para minha família, os sonhos alimentavam a minha alma, eu acreditava que tudo no futuro seria diferente, era como se algo dentro de mim gritasse que  as dificuldades daquele momento eram nuvens passageiras, eu não tinha como saber o que iria acontecer no futuro, mas na minha cabeça a minha consciência me alertava que não buscasse mais problemas para mim, não procurasse me envolver com pessoas que poderiam destruir as minhas chances de ter um futuro melhor, aquele momento de escolhas era crucial para o meu futuro então eu não poderia me envolver com pessoas que poderiam me arrastar para a destruição.

Sempre que eu me batia com aquele cara pelo bairro percebia que ele me seguia com o olhar, falava alto como se desejasse chamar a minha atenção, mas ao mesmo tempo em que percebia isso eu achava que ele deveria estar olhando para outra pessoa eu não me via capaz de chamar a atenção de um cara bonito, ele só poderia estar ao meu alcance em meus sonhos...

Os anos foram passando , o carinha bonitinho com jeito de marginal se chamava Pedro e ele não mudou com o tempo, continuava andando com  os maus elementos do bairro e até se envolveu com  uma menina que nossa, além de ser arruaceira como os caras que ele andava ela era  estranha, nada bonita e nem vaidosa, parecia que sempre estava suja. Eu não me decepcionei porque descobri com os anos que eu sempre fui racional até em meus sentimentos, não tinha porque me ressentir porque nunca aconteceu nada entre eu e ele. Me sentia atraída pela estampa dele, como tudo o que é belo atrai o olhar das pessoas mas nunca apreciei o comportamento dele, eu era adolescente e sonhava com um cara bonito assim como muitas meninas da minha idade naquela época platonicamente  apreciavam ídolos de roque ou do cinema.

Eu não sou rica, mas tenho uma condição muito melhor do que eu tinha  quando era mocinha, hoje eu posso comprar um vestido que me agrade, posso tomar um sorvete no fim da tarde. Estudei, me formei e tenho um emprego. Tenho uma vida normal de lutas e conquistas, tive alguns relacionamentos na vida embora eu ainda não tenha encontrado o par perfeito.

E Pedro?

Depois de muito tempo eu soube que ele saiu do bairro corrido após se envolver em uma confusão, juraram  acabar com a raça dele, eu nunca soube de fato os detalhes, a mãe dele frequentava a mesma igreja que minha mãe e terminaram se aproximando, foi assim que eu soube disso... Soube também que ele teve uma filha com aquela estranha que ele andava envolvido.

Um dia, a mãe dele falou com minha mãe que ele quando era adolescente era doido por mim mas eu era  muito seria não dava espaço para ele se aproximar, e que se eu tivesse dado uma chance talvez ele seguisse outro rumo na vida.

Eu acho que ninguém muda ninguém, ainda bem que eu era seria demais para me deixar encantar pelo sapo fantasiado de príncipe.


05 de junho de 2023



Capitulo V


PEDRO MISSIONEIRO...


As vezes eu olho para trás e fico me perguntando onde  foram parar as minhas crenças? Quando eu era adolescente tudo ao meu redor parecia caótico e isso não era apenas pelo fato de eu ser adolescente, muitos reclamam de tudo por estar na transição da infância para a idade adulta  mas além de ter que lidar com isto eu também tinha que me forçar a ser madura  para não surtar com todas as impossibilidades que a vida  esfregava na minha cara, Sem pessimismos, acredito que eu era a aluna mais pobre daquela escola e muitas coisas ruins eu precisei suportar, fui adolescente no inicio dos anos 2000 e naquela época não era bulling rir de características físicas, ninguém era punido por debochar do coleguinha que não podia  ter um tênis de marca, as pessoas era classificadas pelo o que usavam e eu agradeço ao fato de não ter dinheiro para ter um tênis de marca, claro que eu odiava  que debochassem de mim mas eu também não queria construir amizades só porque eu podia comprar um tênis caro.

Sempre busquei alento nos livros, a leitura sempre me acolheu e eu nem preciso dizer que quando não tinha aula o lugar onde era certeza me encontrar era na biblioteca. Meu nome é Diva e isso era um dos maiores motivos de deboche, me chamavam de Diva mendiga, Diva genérica, Diva da pobreza isso tudo  ocorria em um colégio publico  onde ninguém é milionário mas os que tinham um pouquinho mais se achava no direito de ridicularizar aos outros, quando estas coisas ocorriam eu me refugiava nos livros, foi assim então que descobri Érico Verissimo e me apaixonei. Li todos os livros  dele que tinha disponível na biblioteca mas o que mais gostei foi Ana Terra.

Me identifiquei totalmente com a personagem e quando ela dizia que sempre que acontecia alguma  coisa importante a ela era dia que estava ventando muito, li aquele livro  como se eu fosse Ana terra eu entendia sua  timidez e sua opressão vivendo em um lugar recluso sem convívio com as pessoas, ao mesmo tempo que isso é ruim, eu achava bom porque tem certo tipo  de pessoa que não vale a pena conviver, tem gente que infelizmente não tem nada de bom  para  partilhar então  a solidão termina virando solitude pois  conseguimos ouvir a voz da nossa consciência nos ensinando coisas preciosas sobre a vida.

Não tínhamos o segundo horário de quarta-feira, o dia estava frio, chuvoso, cinzento...

Eu estava meio tremula pois havia pegado chuva no caminho para o colégio, meu casaco e meus pés estavam molhados  sai da sala e fiquei no corredor com algumas colegas, o vento fazia com que as venezianas da janela rangessem e eu me lembrei de Ana Terra dizendo que coisas importantes aconteciam na vida dela em dias de ventania, mas o que poderia de acontecer a uma adolescente pobre  de marré deci sem muitos atrativos em uma escola publica?

A resposta veio meio que imediata.

Meus olhos se encontraram com os dele. Eram olhos castanhos escuros, assim como seu cabelo grosso, preto como cabelo de índio, como o cabelo de Pedro Missioneiro e ela estava vestindo um suéter colorido com estampas indígenas que faziam com que sua pele morena ficasse ainda mais bonita.

Uma  pausa para explicar:

Ana Terra é uma personagem da Trilogia de Érico Verissimo, O Tempo e o Vento. É uma moça solitária que vive com os pais e dois irmãos e uma estância afastada  de tudo e de todos, Ana trabalha na lavoura e ajuda a mãe nos cuidados domésticos e  tenta se conformar com o fato de que nunca vai conseguir formar sua própria família vivendo isolada naquele lugar, porém um dia ao retornar da cidade onde o pai e irmão trocavam seus produtos por outros itens , eles trazem um índio que estava ferido quase morto. O índio era Pedro Missioneiro que é tratado pela mãe de Ana até ficar bom, Pedro então recuperado colabora com os trabalhos até que não mais resistindo a atração  ele e Ana começam um romance, porém após a família da moça descobrir o pobre rapaz termina assassinado.

A forma com que o autor descrevia os personagens era tão maravilhosa que fui idealizando em minha mente e quando vi aquele rapaz  parados na escada com os cabelos negros molhados e com aquele caso com estampa indígena  me senti como se estivesse em um transe, me senti como se um imã me levasse até ele e quando dei por mim já estava perto dele no patamar da escada, não me lembro o que falei com ele naquele momento mas deve ter sido algo interessante porque quando dei por mim estávamos na biblioteca  conversando sobre várias coisas como se tivéssemos no reencontrado. Como falei minha vida não era nada facil, não tinha muitas perspectivas boas, na verdade eu e minha família sobrevivíamos  pela misericórdia divina mas mesmo  não tendo nada em que me agarrar eu tinha uma esperança tão linda, algo dentro de mim me incentivava a ir para o colégio com fome, com o sapato furado, ouvir o deboche de colegas...Algo dentro de mim gritava para insistir mas a partir do momento que meus olhos pousaram nos olhos daquele moço  me pareceu ter um motivo vivo para aturar a zoação diária.

E o fato de que após aquele primeiro contato, todos os dias  passei a ser visitada por ele na sala, ele me levava para a biblioteca e conversávamos até o sinal tocar para a próxima aula, parece que sonhávamos juntos com o futuro eu queria ser psicóloga e falava com ele sobre este meu sonho, sobre tudo o que eu ja tinha lido a respeito e ele viajava comigo em minhas ilusões e esperanças, só que toda esta magia que rolava entre nos dois começou a incomodar aos que  perdiam seu tempo para me ridicularizar, começaram a criar boatos e buchichos sobre o que um cara tão maravilhoso como ele tinha visto em uma  coisa feia e mal vestida como eu?

Auto estima é algo que  conquistei ao longo dos anos, quando aprendi a não dar ouvidos ao que me diziam mas naquela época eu tinha apenas dezessete anos, tinha uma vida difícil onde nem sempre tínhamos o suficiente para as três refeições quanto mais para alimentar a aparência e agradar aos outros. Eu mesma me perguntava porque ele falava comigo quando garotos que não chegavam ao pés dele em termos de aparência me ridicularizavam mesmo sem eu nunca ter me dirigido a eles, o simples fato de eu existir incomodava a estes caras.

Hoje, eu tenho a resposta ele fazia questão de estar comigo porque ele era maravilhoso. Não era apenas um cara bonito , ele era bom caráter, ele era humano, gentil, educado, inteligente, atencioso e ... eu estava  apaixonada por ele, eu imaginava que nunca seria correspondida e pensava que talvez ele gostasse de conversar  mas jamais andaria de mãos dadas com uma guria que tinha espinhas, não tinha condições de usar roupas descoladas e ser julgado pelos outros mas ele não era isso. Ele já era um homem quando todos os outros eram moleques que achavam que ser homem era apenas transar com o maior numero possível de meninas.

Todos os dias estávamos juntos e sempre tínhamos o que conversar mas eu disse a mim mesma que jamais diria que eu estava apaixonada, jamais sugeriria que nos envolvêssemos amorosamente porque o simples fato dele me enxergar como uma pessoa fazia com que eu me sentisse especial realizada e feliz portanto eu não tinha que sonhar com algo mais. Amar aquele rapaz  era algo muito fácil não apenas porque ele era bonito de fato mas porque ele era um ser humano  especial. Aprendi que a beleza é uma exigência dos  que tem preguiça ou não sabe enxergar as virtudes de uma pessoa, ele era tão maravilhoso que eu nem lembrava que ele era bonito.

As pessoas especulavam a maioria dizia que não éramos namorados que isso jamais aconteceria pois eu era feia e ele bonito mas outros diziam que deveria terr. algo errado com ele que a forma como ele me olhava não era como amigos, temi que ele deixasse estes mexericos afetar nossa amizade e até acreditasse que era eu  que estava espalhando estes boatos então falei claramente que estavam falando de nos.

Ele me respondeu que não dava a mínima para o que falavam e que continuaria  indo me visitar e assim fez, quando ele chegava na sala as meninas se assanhavam tentando chamar a atenção dele, falavam alto, jogavam o cabelo dai ele me pegava pela mão e ia me levando até a biblioteca e lá ficávamos até a hora de ir para a outra aula Como não amar?

Ele era aquela pessoa que você olha e ver que o futuro irá lhe sorrir e que tudo de bom vai acontecer com aquela pessoa de forma linear. Tudo que é bom não é eterno...

O fim do ano chegou e dentro de mim pairava aquela pergunta  e ano que vem?

O ano que vem a escola vai entrar em reforma e atuar com rodizio e o que houve? Ele foi para outra escola afim de não atrasar  o conteúdo tendo em vista que ele estava no segundo ano e eu no terceiro eu deveria fazer o mesmo mas não fiz, compensei estudando  nas bibliotecas públicas, nada foi fácil para mim, precisei optar entre fazer faculdade e sobreviver então precisei trabalhar duro seis anos após ter terminado o ensino médio entrei na faculdade meio sem acreditar que algum sonho em minha vida estava sendo realizado e claro, foi muita luta até conseguir meu diploma e depois desta conquista  a vida virou uma pagina para mim mais colorida eu senti  na pele a sensação de comprar coisas que eu queria sem ter que ficar sem o almoço.

Procurei viver minha vida  da melhor forma possível, estudando, buscando e nunca mais permiti que me maltratassem apenas pelo fato de eu ser pobre. Um dia que eu não tinha muito o que fazer pesquisei por aquele  meu crush no Facebook e descobri que ele era terapeuta, professor e advogado , era casado com uma mulher bonita, magra com um jeito de modelo, tinham uma filhinha e pareciam feliz, me surpreendi pelo fato de não sentir inveja deles.

Aliás eu nunca fui dada a ter inveja de ninguém sempre achei que as pessoas tem o que merecem e as vezes agente passa  se arrastando pelo abismo não porque mereçamos ser punidos mas por que precisamos evoluir, entender de verdade o que que se pode valorizar na vida e infelizmente a forma mais eficaz de garantir este aprendizado é passando por certas coisas.

Amei muito aquele moço, mas foi um amor que não era para ser amor romântico daqueles que o Pedro Missioneiro viveu com a Ana Terra, era um amor que foi aprendizado sobre como eu deveria olhar para mim mesma e que eu nunca deveria permitir que me inferiorizassem seja lá porque motivo fosse por isso não senti inveja, nem ciúme quando vi que ele conseguiu realizar e construir tudo o que queria, senti na verdade gratidão  por ele ter me mostrado que só conseguimos amar aos outros quando amamos a nos mesmos sem complexos, sem traumas apenas enxergando a nossa essência.



REFERÊNCIAS:

https://e7.pngegg.com/pngimages/526/443/png-clipart-frames-drawing-vignette-text-animal.png

https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQf3iQ8RouFVP9IiZRrB2N8RMMxsxXTRZZERA&usqp=CAU





sexta-feira, 31 de março de 2023

É isso ai

 31 de março de 2023


Por Maiara de Deus


Onde você estava quando meu mundo caiu?

Quando o sol deixou de brilhar,

Quando tudo pareceu perder o sentido,

Quando eu me enganei achando que era meu momento é por fatais horas deixei até de respirar?

Eu não  vi perto de mim todos aqueles que eu ajudei a atravessar o rio.

Pareceu para mim que minha travessia pelo lodo jamais teria fim.

Quantas vezes eu tive dificuldade de me levantar da lama, quanto mais eu me esforçava mais no poço eu me afundava.

E não havia ninguém que olhasse para mim com compaixão, ninguém sabia enxergar além do óbvio e eu nunca reclamei, nunca me queixei e nem pedi ajuda, porque a vida me ensinou que não podemos sangrar em um poço de tubarões.

Todo mundo sempre achou que eu não estava sofrendo, que não estava doendo e que suas situações  individuais eram pior que a minha.

Se soubessem que eu ocultei de todos, a fome, a dor, o medo, a solidão e todas as feridas causadas pelas puxadas de tapete e perseguições que eu enfrentei. SOZINHA.

Ninguém nunca quis caminhar ao meu lado, porque a minha estrada nunca foi linear, meus pés se acostumaram as feridas causadas pela caminhada nos terrenos tortuosos as pessoas que deveriam me dar a mão se prestava apenas a ver meu sofrimento tentando chegar a algum lugar na estrada escorregadia, quantas vezes eu caí do penhasco?

Só que eu nunca morria, apenas agonizava por dias até ter força pra ignorar toda a dor e continuar seguindo adiante.

Ouvi dizer que tudo passa, só que pra mim nunca passou... Mudava apenas os estágios de dor e sempre a níveis terríveis e eu me surpreendo como consegui sobreviver aguentando a tantas coisas.

Foi fácil me iludir... Falar de amor e de esperança...

Foi fácil me enganar...

Foi fácil também fugir ao perceber que a minha vida é um campo de batalhas e que sou combatente ferido mas que ainda vai para guerra.

Eu não quero amor nem amizade e nem um "Olá" de gente covarde, pois eu nunca tive escolha a não ser a de ir pra luta e me acostumei tanto a lutar sozinha que levo fé na máxima que diz: Antes só do que mal acompanhado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Tudo o que chorei

 13/02/2023

M. D

Eu quero te contar sobre tudo o que chorei nesta vida.

Mas eu não consigo....

Por que tanta dor eu derramei dos meus olhos e mesmo assim não deu para aliviar a dor que consumia a minha alma.

Um oceano de amarguras e desilusões, onde jamais houve um conforto, um ombro amigo, uma palavra acolhedora... Nunca houve nada, nunca houve ninguém...

Quanta gente viu o que né fizeram e se encolheram?

Quanta gente viu quando me machucaram e viraram o rosto?

Todos foram coniventes, os que fizeram e os que ignoraram.

Hoje eu tirei o dia para chorar por toda está for guardada a anos...

Hoje eu direi o dia para tentar esvaziar o meu peito de todas as injustiças,todo o abandono, toda falsidade, traição e intolerância que me penitenciária.

Todos procuraram meus ombros para chorar suas dores mas ninguém nunca se propôs a observar que eu derramava lágrimas de sangue, solitárias e doloridas.

Todo mundo sempre disse que eu era forte mas na verdade isso era apenas uma desculpa para não me consolar e eu tive que sofrer e sangrar sozinha até a minha dor suavizar para que eu pudesse continuar caminhando na estrada de espinhos tentando ignorar a dor, tentando me convencer que eu  sou forte para seguir sem sentir tudo o que me fizeram.

As alternativas são fingir demência fazendo de conta que não estou entendendo,ficar estática no mesmo lugar e continuar recebendo os golpes que queiram me dar ou finalmente usar toda a força que tive estes anos todos apanhando para bater,abater e me vingar.

sábado, 27 de agosto de 2022

DESCULPA, EU ME ENGANEI

 




                                                        

             Por Maiara de Deus

Percepção e algo que nos engana muito. E fácil tirarmos conclusão de algo ou de alguém com base as vezes no que queremos ver na pessoa.

Ninguém é perfeito e isso e fato e talvez se fosse perfeito não haveria graça na convivência, pois a superação diária, a troca de conhecimentos e experiências e o que da sentido as relações humanas.

O grande desafio é as expectativas que criamos ao nós relacionarmos com as pessoas, não estou falando apenas de relacionamentos afetivos, estou falando de relacionamentos de um modo geral.  Naturalmente esperamos coisas das pessoas, imaginamos atitudes, comportamentos, ações e nem sempre a atuação é de acordo c a imagem que criamos, as expectativas que alimentamos.

Todo  mundo sabe como o ser humano e multifacetado, imprevisível, por mais que você ache que conhece uma pessoa a reação que está pessoa pode ter em determinada situação pode não combinar com o que você espera e nós mesmos por melhor que nos conheçamos, nunca sabemos de fato como iremos reagir a determinadas situações, muitas vezes acreditamos que  receberiamos certas  noticias de forma tranquila mas quando de fato algo acontece  os sentimentos são diferentes e as reações também.

Mas, meu questionamento é quando as ações não seguem o mesmo rumo que  o nosso caráter  defende, quando por exemplo: A vida inteira  você defende  que tirar coisas de outras pessoas é errado mas quando algo  te interessa muito e você não hesita em tirar o que é do outro  por que sua percepção te diz que não é nada grave e que o que estava com outro estaria melhor contigo. Ou quando você fala sobre algo que alguém fez, visualiza como uma ação muito  grave, muito pesada mas todoo peso deixa de existir quando é feito por você.

O certo é certo, mesmo que todo mundo diga o contrário, as coisas não podem mudar a gravidade  quando é praticada por nós mesmos ou é erro apenas quando é um terceiro que pratica?

Ultimamente eu tenho  analisado muito  palavras ações e nossa, tenho me decepcionado demais porque percebo que  principalmente aqueles discursos "Good Vibes" não combina com as atitudes de muita gente, é fácil você transmitir empatia para com os outros parece bonitinho e está  na moda parecer solidário mas creio que mas bonitinho do que parecer solidário é ser de fato solidário  com o outro e  julgar com o mesmo peso  que aquilo que é feio  como atitude do outro  não é menos feio quando somos nós que praticamos.  Não temos como saber o que vai nos acontecer lá na frente, algumas coisas conseguimos deduzir, se observarmos o movimento dos que nos rodeiam, a verdade é que influenciadores com poder nas mãos conseguem destruir a vida de muita gente apenas com uma simples mensagem no WhatsApp.  Por mais indícios de caráter que uma pessoa possa expor, nunca saberemos de fato do que uma pessoa e capaz.

Ultimamente ando temendo pessoas que falam sobre boas energias e tem aquela vozinha mansa que faz a todos acreditar estar tratando com uma pessoa do bem, acreditem, as cobras não avisam quando  vão te morder, elas rastejam silenciosas e quanto mais sutis mais venenosas  são.



REFERÊNCIAS 

https://img.ifunny.co/images/8d8f49e705e34d753b4ef9c7f0b57cae94ed4583c30baf8402ee7363d1f7cda4_1.jpg



quinta-feira, 7 de julho de 2022

Adoecimento em ambiente de trabalho

 Já pararam para pensar porque tantas pessoas apresentam problemas de Saúde associado ao local onde trabalham?

Não me refiro apenas as doenças laborais como Lefort causada por movimentos continuos ou doenças da voz, do ouvido que são comuns ao conhecimento. Me refiro as doenças do interior como depressão, ansiedade entre tantas outras doenças físicas motivadas por fatores emocionais preponderantes.

O local onde trabalhamos precisa ser saudável, pois é o ambiente onde passamos a maior parte do nosso dia, por isso as relações que são construídas com a liderança, com colegas de trabalho e extremamente importante e tem grandes reflexos na vida de um profissional.

Maslow quando criou a pirâmide das necessidades foi muito assertivo, porque pontuou que o ser humano tem necessidades e que a não realização destas necessidades podem criar problemas interiores sérios.

Quem nunca ouviu falar em QVT? Qualidade de vida do ambiente de trabalho, pois é, muitas empresas entendem que oferecer um ambiente de trabalho íntegro, seguro e confortável serve  como um agente motivador para o trabalhador e a QVT não se aplica apenas a estrutura física, se aplica também a aspectos relacionados ao convívio entre líderes e colaboradores, entre colaboradores e colaboradores.

Quantas vezes bons profissionais vão embora da empresa deixando o gestor com uma interrogação em cima da cabeça? O êxodo em algumas situações e justamente porque aquele colaborador pode estar sofrendo algum tipo de assédio ou está se sentindo prejudicado por algo dentro da organização e neste aspecto e lamentável mas algumas empresas apesar de toda evolução não compreende que o colaborador da hora que registra a entrada e a saída está sob a responsabilidade da empresa. Se ocorre algum tipo de abuso e o funcionário expõe isso para a sua liderança ou para o RH, isso não pode ser tratado como um "Problema é seu", porém infelizmente muitas empresas cria culturas e levanta bandeiras que e incapaz de seguir, dizer que é socialmente engajado mas não.saber o que fazer ou não se interessar quando a situação e crítica é absurdo.

Qual e a sensação de um profissional que busca algum tipo de justiça ou amparo  na empresa em que presta serviços e isso lhe é negado?

Entende então porque tá tantos colaboradores talentosos são afastados por causa de depressão, ansiedade entre tantas outras coisas?

Gerir uma organização não significa apenas senta-se atrás de uma mesa, assinar papéis e dar ordens assim como gerir pessoas também não está associado a aplicação de castigos e penalidades  é importante que não apenas gestores mas colaboradores principalmente entendam que existe Leis Trabalhistas e que estás Leis devem ser muito bem interpretadas é conveniente para as organizações mencionar lei quando quer impor algo sem especificar qual a lei, sem dar referências e a possibilidade do empregado consultar o que lhe está sendo cobrado e isso acontece porque a organização se prende a falta de conhecimento do outro, a necessidade de se submeter a algum tipo de imposição por questões de sobrevivência . E o que é que acontece quando o colaborador conhece seus direitos e vai atrás deles?

Infelizmente poucos vão atrás deste direito, preferem fingir que não percebe que está sendo lesado porque tem que considerar todas as dificuldades que poderá enfrentar para uma recolocação e termina adoecendo engasgado com os absurdos que precisa suportar para sobreviver.


terça-feira, 5 de julho de 2022

A SOLIDÃO DA MULHER NEGRA


Recentemente, li na internet sobre este tema: A solidão da mulher negra e resolvi falar sobre este assunto, não apenas do ponto de vista afetivo, mas discutir sobre  de um modo geral.
De fato, a mulher negra é solitária mas não exclusivamente no que diz respeito  a encontrar a um companheiro que siga ao seu lado, pois muitos homens negros ( Não estou generalizando, que isso fique muito bem claro), declaradamente preferem mulheres brancas ou  ou com a pele  o mais clara possivel  a ponto de poderem negar que pertencem a raça negra, como mencionei. Deste ponto podemos extrair tantos outros temas polêmicos, as proprias estatiscas comprovam  que  o maior indice de maes solteiras são mulheres negras, mulheres como chefe de familia são mulheres negras, mulheres agredidas e assim por diante.


Quando falo na solidão da mulher negra  não me refiro apenas  a questões afetivas, falo principlmente das questões sociais que apesar das inumeras discussões que existem sobre empoderamento, racismo, evolução e etc, a mulher negra ainda é DESAMPARADA e todos os aspectos.Quando uma mulher negra, moradora de comunidade procura  unidades policiais para reclamar que sofre abuso do companheiro seja fisico, moral ou emocional o que é que  ela ouve? E porque é que muitas destas mulheres terminam sendo assassinadas?  Por que a voz destas mulheres não é ouvida, a estas mulheres não é dada nenhuma credibilidade.Redes sociais existem  e é um meio onde a comunicão é facilmente difundida e eu acho ótimo mas nada disso, nenhum dos recursos tecnologicos que temos  conseguiu conscientizar as pessoas que estamos em novos tempos e que a mulher negra precisa ser acolhida.Falar de negritude, preconceito, discriminação é descaradamente chamado por muito de "mimimi"
Ainda sim  apesar de todo avanço este tema ainda é evitado, negado e jogado para baixo do tapete.O fato de  pretos não usarem grilhões em suas mãos e pés não quer dizer que  aboliram a imagem do  negro como escravo.Este estigma permanece e eu creio que ainda mais forte do que no  passado, hoje   ainda temos que suportar o olhar  de quem acha ousadia circularmos livremente pela sociedade.
A mulher negra no passado sofreu abusos por ser escravizada, estuprada e difamada porque  o fato do senhor de engenho se deitar com uma escava fazia com ele fosse visto de forma bestial como se estivesse tendo relações com um animal, como uma tara.Os filhos que eram gerados atraves desta violência não tinham direito a nada eram escravizados assim como  suas mães.De lá para  cá é certo que a mulher negra conquistou muitas coisas boas, temos muitos exemplos de mulheres negras   bem sucedida, empoderadas e que  persistiram em seu proposito de não aceitar  carregar nas costas o peso das impressões  impostas pela sociedade.Quando se fala em solidão, fala-se do desamparo, das criticas, das dúvidas e principalmente das preferências



Existe um fator muito importante  e que em muitas discussões é deixado de lado que é  o aspecto psicologico.Será que alguem consegue mensurar o estrago que a ignorância de algumas pessoas pode fazer com estas mulheres?Quantas mulheres negras não conseguem se ver como mulheres bonitas porque cresceram ouvindo criticas com seu cabelo, com seu nariz, com seu corpo, com sua capacidade?
Quantas mulheres poderiam trilhar um caminho maravilhoso de sucesso e não o fazem porque tem medo das agressões que vão precisar enfrentar, é mais fácil  se encolher, desistir de sonhar para se proteger e mesmo se coibindo ainda assim estas mulheres enfrentam agressões diarias.A mulher  leva um peso muito maior que o homem.O racismo existe e tanto mulheres quanto homens negros sofrem mas a mulher ainda  sofre com o abandono, como o abuso sexual, com a rejeição.Quantas vezes um homem seja ele negro ou branco  desvaloriza sua parceira e neste caso a questão racial  é sempre exposta, eu vi  em algum lugar um video com o titulo: HOMEM BRANCO FRACASSADO QUE SE UNE A MULHERES NEGRAS, eu não me senti atraida em assistir a um video  com este titulo, eu deveria ter assistido  pelo menos para saber qual a alegação mas admito que não tenho bofes de ferro e  tem certos conteudos que infelizmente nem por uma boa causa consigo  aceitar.
Conheço várias mulheres que para não carregarem o peso de ser sozinha se submetem a estar com um homem que não as respeita, não valoriza e nem ajuda em nada, a mulher sozinha ainda carrega um tributo muito grande e isso só vai mudar quando entenderem que existe uma grande diferença entre solidão  e solitude, o processo de aprender a se gostar é muito dificil mas só se gostando é que se adquire  coragem para não aceitar carregar nas costas  alguem que vai ser mais uma cruz  que um companheiro.Quantas mulheres  negras  conheceram a depressão e a frustração porque passaram a vida inteira esperando que  alguem que elas gostavam assumisse um compromisso e no final das contas o sujeito a susbstitue por outra, geralmente branca.Quantas mulheres negras estão sozinhas porque  sempre são  a ultima opção?Quntas  mulheres negras são impedidas de  fluirem, de se expressarem, quantas mulheres negras são tratadas como mulheres para se relacionar sexualmente? Quantas mulheres negras não consegue se ver como bonita, inteligente, sensual e capaz porque a versão de mulher padrão aceitável está bem longe do que a sociedade enxerga na mulher negra?
Quantas mulheres maravilhosas estão coagidas, impedidas de dar sua opinião, renegadas e traídas porque peles menos trintas parece muito mais interessante?
Porque e surpresa mulheres negras ricas? Saindo em capas de revistas? Presidindo empresas ou simplesmente assumindo funções no front de grandes empresas?
A mulher negra conhece sim a solidão e todas elas são vítimas da pior forma de rejeição principalmente quando pedem ajuda e o interlocutor apenas pergunta: O que você quer que eu faça?



REFEÊNCIAS

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https://i1.wp.com/aestranhamente.com/wp-content/uploads/2020/07/mulher-negra.png?fit=750%2C422&ssl=1

quarta-feira, 25 de maio de 2022

PESSOAS TRANSFORMAM PESSOAS















Já parou  para pensar no quanto  as pessoa\s são capazes de influenciar as outras?
A literatura fala muito que alguns tipos de pessoas  consegue induzir outras a certas ações , mas na verdade todo mundo é capaz de  influenciar o outro. Quando falo sobre isso não estou me referindo a pessoas que tem características de lideres natos, não estou falando de pessoas que tem grande  facilidade em articular palavras e a motivar as outras pessoas a sua volta a pensarem sobre algo. Falo de pessoas comuns, que conversam, convivem, pensam e falam sobre o que pensam.
O fator chave é  justamente este, as pessoas falam com as outras sobre as suas impressões e dependendo do que falam e como falam, conseguem construir  uma imagem de outra pessoa completamente diferente do que  a pessoa realmente é.
Quando chega uma pessoa nova em um lugar, em uma empresa por exemplo, as pessoas criam expectativas sobre esta pessoa quando sabem que virá alguem, idealizam ou demonizam mesmo sem conhecer e propagam o que pensam e terminam convencendo aos demais  sobre suas impressões.Mulheres principalmente adoram criar opiniões sobre pessoas que nem conhecem  e falo isso ( Mesmo sabendo que muita gente vai me odiar por isso) Porque eu também sou mulher e já passei e ainda passo por situações onde pessoas nem me conheciam, não sabiam de onde eu vim, o que eu penso sobre a vida e mesmo assim criavam  toda uma opinião ao meu respeito ( geralmente negativa), facilmente outras pessoas terminam sendo convencidas  sobre o que o Grande influenciador disse.
Não é necessário ser  um grande orador, um grande filosofo para ser um grande influenciador, geralmente  pessoas  assim conseguem mover um número muito grande de pessoas  ao seu redor, muita gente para não se tornar alvo de sua avaliação mesmo que não concorde, prefere seguir a ser  chicoteado pelas impressões do outro, você pode ser o melhor sujeito do mundo mas se uma pessoa assim cruza o seu caminho e resolve não ir com a sua cara pode destruir sua relação com todos que convivem contigo, infelizmente as pessoas não são justas em seu julgamento e prefere muitas vezes engolir o que alguem disse do que pensar por conta própria.
A opinião  criada  sobre um individuo em muitas situações fala de alguem completamente diferente, as vezes aquela figura  criada pela imaginação de alguem  não tem nada haver  com a personalidade  do difamado. Já falamos muitas vezes sobre preconceito  neste blog, pois então, não são apenas pessoas afrodescendentes que são vitimas de discriminação, vou contar um fato que é um exemplo claro  do que mencionei.
Quando eu estava no segundo ano do segundo grau, adicionaram ao nosso currículo escolar uma disciplina muito  interessante - Estudos Baianos que  tratava sobre a historia da Bahia, envolvia aspectos sociais, políticos e geográficos na minha opinião uma matéria muito útil e importante. A professora  era loura, tinha olhos claros e um porte muito elegante, ela era também extremamente educada e gentil, porém a turma nem deu oportunidade de conhecer e resolveu boicotar as 
 aulas por que a professora era bonita, jovem, inteligente e educada e isso incomodou a eles, julgaram sem nem ao menos conhecer apenas porque a aparência dela destoava do mundo particular deles onde foram acostumados a apedrejar tudo o que  que achavam  distante do que estavam acostumados, preferiram se prejudicar e abdicar  de um conhecimento que iria agregar muito em suas vidas a aceitar uma pessoa que nem conheciam mas julgavam  não merecedora  de sua confiança, achavam que a professora era rica, metida e chata, ela ficava imensamente triste isso era nítido em seu olhar, tudo o que eu pude aproveitar do conhecimento  que ela oferecia para mim foi valido No ano seguinte  tivemos a mesma disciplina mas com um outro professor. Este era gordo, tinha um tipo comum muito mais próximo do tipo físico dos alunos mas pensam que ele não foi discriminado?
Enganam-se, volta e meia ridicularizavam este professor, diziam que ele era feio, gordo e mentiroso ou seja  na mentalidade daquele grupo de estudantes ninguem merecia ser respeitado se era bonita  e elegante eles rejeitavam porque achavam que a pessoa por ter uma condição acima da deles os  sujeitavam a humilhação e se a pessoa não atendia ao que  eles  julgavam como perfeito levava pedrada também.
Anos depois quando eu já estava em meu primeiro emprego, encontrei  este professor .Era periodo de inverno, estava bem frio  e eu estava voltando para casa o professor estava com uma criança, uma menina por volta de seus seis anos ele estava pedindo carona nos ônibus, eu pensei em oferecer uma passagem para  ele mas acreditem eu fiquei com vergonha e com medo dele de alguma forma  se sentir humilhado, até hoje eu me arrependo de não ter oferecido, acho que se fosse hoje  eu teria  tentado ajudar mas naquela época ?( eu tinha 20 anos) eu  não me sentia tão segura em fazer certas coisas, eu não tinha experiência, as vezes eu queria fazer algo bom por alguem mas tinha vergonha e medo de como a pessoa  entenderia o que eu estava tentando fazer.
Tudo  para mim é aprendizado, lá naquela época em que eu era estudante  muitas coisas  foram base  para mim e hoje serve como um alicerce para  percepções que pode ajudar a muita gente  a pelo menos se questionar sobre muitas coisas.
Dizem que A palavra é de prata e o silêncio é de ouro, então é imprescindível tomar cuidado  quando for expor nossas impressões sobre alguém, um comentário simples, inocente pode elevar ou destruir a vida de alguem.


REFERÊNCIAS
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